Estes dias está ventando muito!
Meu caminhar era lento, aproveitava para admirar atentamente a paisagem, mas em poucos minutos me sentia cansada, como se houvesse caminhado muitos quilometros em poucos passos e resultava que nunca ia demasiado longe do ponto de partida.
Um dia sai de casa e só me lembrei de que nao levava as pedras no bolso pq meu caminhar era suave e agradável. Nao sei se por sorte ou azar, justo neste mesmíssimo dia o vento soprou da manera mais forte do que eu já tinha visto.
Apressei os passos temorosa e excitada. De repente senti que o vento me arrebatava do chao como uma folha seca de outono rodopiando pelo ar em espiral. Nao tive tempo para pensar ou ter medo, pois a sensaçao de estar livre era tao forte e sublime que me sentia como um anjo sem asas.
Nao sei o tempo exato em que estive suspensa no céu e me surpreendi pq pousei no mesmo lugar de onde havia sido suspendida por aquele vento atrevido! Com os cabelos avoaçados fui correndo pra casa contar história para minha mae!!! É claro que ela nao acreditou em uma única palavra. Mas apartir daquele dia nunca mais tive medo de caminhar livre das pedras e aprendi que as vezes faz muito bem tirar o pé do chao!!!
Uma vida pode ser cantada
Cartola
Composição: Candeia
Deixe-me irPreciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andarVou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
erros de gramática
Onde é que está o sujeito desta história confusa e sem nexo? Escrita em linhas tortas. Nem sequer tem objeto direto e entre pontos, vírgulas e interrogaçoes, é quase impossível localizar o núcleo do sujeito!
Filosofia barata
Nada de alucinógenos, só comestíveis! Passar horas caminhando no bosque de pinhos, olhando cada centímetro do chao para encontrar fungos! Depende da sorte se pode encontrar muitos ou nao... no nosso caso, dá pra se divertir .
Chegamos em casa mortos de fome e começamos o ritual de cozinhar-las. Saciado a necessidade básica, depois de uns goles de vinho, inicia-se o tópico "conversas curiosas", com ou sem sentido, desde temas fúteis a grandes questoes filosóficas, como a que descrevo abaixo:
Philip: ¿ o que é maior que o universo e menor que um átomo? Dica: Os mortos comem e se comem os vivos estarao mortos!
Juliana (cara de quem pergunta: de onde ele tirou esta idéia?): ¿que? Repete, por favor!
Alberto (super fumado e feliz) ¿?¿?¿?¿?¿?
Resposta: nada!
Todos: perplexos e confusos.
O mundo anda tao complicado
Estes dias me lembrei de um trecho de uma cançao do Legiao Urbana que falava de algo relacionado com este meu novo universo e fui buscar na internet a letra completa!
É tao emocionante quando encontramos uma música que traduz de modo quase perfeito nossas vidas. Digo quase perfeito pq nós decidimos nao ter geladeira nem televisao. Cama também nao temos, mas colocamos uns "paletes" no chao para improvisar. Ah, e quando convidamos nossos amigos nao cozinhamos feijoada, pq nao estou comendo carne e outra pq aqui nao tem feijao preto! Nao estamos trabalhando e acho que nao deve ser muito fácil se acostumar com minhas manias! rsrsrs
Em todo caso, a parte as diferenças, é quase tudo igual!
"Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom,
mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um p'ro outro:- Estou com sono, vamos dormir!
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor
Miércoles
Entre ruídos de motores, sirenes e muita pressa, um carteiro cansado deixa uma carta de amor no número 52 da rua da Saudade.
A carta vem longe, ansiosa, escrita com letra tremida de quem tem pressa de expressar aquilo que nao se pode dizer num momento qualquer. Carrega dentro de si toda a esperança de algum sonhador que insiste em acreditar que há algo que aprender do amor.
Mas, nas cidades os sentimentos nao possuem sentido, nao sao práticos nem rentáveis, ademais, ser romântico aqui pode causar atropelamentos!
"A Estrada da Vida"
A saudade em pequenas partes
Saudade eu nao tenho, sinto. Sinto saudade da Bugalu, da Nani, da mae, da Dita, do Amado, do Kika, do louro berrando: Dá café pro louro, Kika", da Lia, enfim, dos tios, tias, primos e primas. Dos amigos também!!!
Saudade infantil de doce de amendoim e paçoca. De caldo de cana, água de coco e guaraná gelado.
Saudade de chupar manga gorda, lambuzando tudo, da banana prata, da mandioca frita com mantega e da salada de tomate com salsinha que minha vó faz!
Das tardes passadas nos sebos do centro de Sao Paulo folheando livros diversos. Dos filmes que assistia no Centro Cultural.
Ah... saudade de tantas miudezas cotidianas pessoais, de coisas que só ganham valor quando nao se tem. Sao os paradoxos que cada um cria em seu próprio mundo.
Mas, uma coisa digo: minha saudade nao é lamento, é canto á tudo que compoe minha vida e meus sentimentos.
Juliana
" Por mim, só, de tantas minúcias, nao era o capaz de me alembrar (...); mas a saudade me alembra" .
"Já tentou sofrido o ar que é saudade?Diz-se que se tem saudade de idéia e saudade de coracao..."
"Toda saudade é uma espécie de velhice".
fragmentos de "Grande Sertoes: Veredas", de Guimaraes Rosa, livro que estou lendo agora para matar a saudade!
"Béraderô"

Sonho causado por o vôo de uma borboleta segundos antes de despertar

Estavamos nus dentro de uma bolha de sabao colorida, flutuando sobre um jardim de orquídeas violetas em brotos. Enquanto nos amávamos as flores foram se abrindo suavemente.
* janeiro de 2007
Temporal

Todos os dias os jornais anunciam a previsao do tempo.
Ele, o tempo, é claro, amadurece e apodrece, cria rugas, flacidez e ferrugem. Trás saudades, lembranças e esquecimentos. A memória falha com o tempo. Os automóveis, as roupas, os eletrodomésticos e as obturaçoes e uma infinidade de coisas, úteis e inúteis, sao trocadas depois de um certo tempo.
Podemos dividir o tempo em tres partes: passado, presente e futuro, ou em fraçoes de segundos. O tempo é mensurável com um relogio, através da sombra ou da experiência.
O tempo faz cair dente, crescer as unhas e embranquece os cabelos. O tempo produz vida e morte.
Nao poderia imaginar as estaçoes do ano, os aniversários, os fatos históricos e cidades turísticas se nao houvera o tempo. Assim como as coincidências, oportunidades e causualidades. Album de família. As dívidas, prestaçoes, acumulaçoes e perdas. Herança, poder e desigualdade.
Sem dúvida que a aposentadoria, a osteoporose e a menopausa nao existiriam sem a pre existencia do tempo!
Os casais se divorciam com o tempo. A barriga, o vício e a preguiça evoluem com o tempo.
Mas nem todo mal vem do tempo, há tempos inesquecíveis, aqueles que nao voltam jamais.
As grandes obras de artes sao exemplos de que o tempo conseva a beleza eternamente.
O tempo nas grandes metrópoles é dinheiro, hora-extra, engarrafamento, dias úteis.
Cada coisa tem seu tempo e quem tem pressa come cru.
Tenho muito tempo para falar do tempo, no entanto é cansativo ficar o tempo todo falando dele. Prometo que já nao vou mais tomar seu precioso tempo!
Re-gressao/encarnaçao!
Segundo Albert a Terra é um espécie de "Oxford" onde as almas vêm aprender coisas tais como amor, humildade, compaixao etc. Existem outras "universidades" para ensinar as almas e a Terra é uma das mais consideradas, assim que qualquer ser humano quando estiver com sua auto-estima baixa deve recordar-se que nao é qualquer alma que está preparada para viver na aqui, pois ser um terráqueo é uma tarefa árdua e cada um sabe a cruz que carrega cada dia! Alguns com mais alegria, outros nem tanto.
Ele também me disse que as almas chegam a Terra por livre arbitrio e antes de encarnar planejam aquilo que querem aprender nesta nova etapa encarnado. A principio soa meio estranho, papo de louco, mas Albert me contou várias experincias de regressao com seus pacientes. Um exemplo que ele me deu foi de uma paciente que tinha caustrofobia e foi curada depois de uma regressao em que ela viu que na época da escravidao foi trazido como um escravo aos Estados Unidos e morreu preso no porao do barco com outros escravos depois de uma rebeliao.
Muitos questionamentos surgiram durante nossa agradável conversa e pouco a pouco Albert tentava esclarecer-las de forma muito clara e "racional" por assim dizer. Infelizmente nao pude fazer um exercicio de regresssao com ele, coisa que me gostaria. No entato, sem necessidade de provar com meus próprios olhos, posso dizerque estou convecida de que a morte é apenas um estado transitório, fato necessário pq estamos em uma dimensao em que a matéria é perene, mas a alma permanece.
Nao sei o que planejei antes de chegar aqui, mas espero estar cumprindo minha meta!!! Viver é uma arte e negar a alma um crime!
Quem tiver curiosidade e quiser ler algo sobre o tema indico um livro do qual me falou Albert que se chama "Vidas passadas varios mestres", nao sei se a ediçao em portugues está com este título, o autor é um renomado psiquiatra americano Brian Weiss e segundo o que li na internet seu trabalho é cientificamente reconhecido pelas autoridades médicas.
Deixo aqui um ponto d interrogaçao: qual é seu próposito nesta vida?
www.oteatromagico.mus.br
"Quem pode controlar o tempo, que é o relógio da vida? Com certeza ninguém conhece alguém capaz disso, não em nossa vida terrena. Somos capazes de controlar e mudar qualquer coisa a qualquer hora, é só você querer e usar todas as suas forças para que o quê você quer que mude, mude de verdade.
Pode levar horas, dias ou meses, dependendo do tamanho da mudança até anos podem se passar sem que nada ocorra, mas um dia a mudança acontece. Podemos tentar parar uma onda com as mãos, mas o tempo faz com que ela passe por nós sem que consigamos parar sequer uma gota. Podemos tentar parar uma musica apertando o pause, mas o som em nossa volta não pára porque o tempo assim não o deixa. Podemos tentar sentar, parar e ficar imóvel, mas o tempo não deixa as coisas em nossa volta pararem. Podemos tentar parar numa idade, mas a força do tempo é tão grande que as rugas aparecem, o cabelo fica branco, a voz embaraça, os sentidos começam a ir e as memórias aos poucos a sumir.
Podemos tentar parar um momento feliz tirando uma foto, mas após o flash o tempo toma o seu lugar e tudo volta ao normal. Podemos tentar guardar todo o dinheiro possível, porém um dia em algo inútil vamos gastar e o tempo vai se apoderar dele. Podemos construir mansões, casebres, arranha-céus, fortalezas, muralhas, não importa o tamanho, pois o tempo é como a onda do mar, que aos poucos leva o castelo construído na areia da praia. Por isso há tempo pra tudo. Há o tempo de plantar e o tempo de colher. Há o tempo de nascer, de crescer e de morrer. Há o tempo de aprender a falar, de brincar, estudar e trabalhar e também de descansar. Há o tempo de paquerar, ficar, namorar, ficar de novo, namorar de novo e por fim casar, ou ficar solteiro para o resto da vida. Mas se você casar, haverá o tempo de assumir responsabilidades, de dar muito amor e carinho para sua família, e haverá o tempo em que você vai receber também. Haverá o tempo em que seus filhos nascerão, crescerão e te verão ficar velho. Há o tempo de errar para aprender a acertar, de acertar para poder crescer, e principalmente de perdoar para aprender o que é amar.
Há tempo para tudo na vida, principalmente para o amor. Por isso não deixe o tempo passar para dizer a quem você realmente ama, que você a ama. Não deixe o tempo passar sem que você também demonstre esse amor, pois o amor não é feito só de palavras e sim de atitudes, e é nos menores detalhes e nas mais simples atitudes que ele acontece e se transforma em um grande sentimento. Não deixe que ao fim de um longo e cansativo dia de trabalho o amor se apague, não importa o que você teve que escutar, leve flores para sua esposa, namorada ou pra sua mãe. Leve a barra de chocolate ou o vinho preferido de seu marido, pai ou filho. Leve um abraço àquele amigo que você não vê há anos, ao seu avô que mora no campo, aos seus tios e primos no churrasco de domingo e ao seu vizinho que você só no dia de colocar o lixo pra fora. Leve sempre um sorriso no rosto e um aperto de mão firme e sincero, pois você com certeza receberá tudo de volta e com maior intensidade.
Leve tudo o que puder do mundo exterior para o seu mundo interior, e que tudo o que levar faça de você uma pessoa melhor, mais compreensiva, mais paciente, mais saudável, mas firme, mais amorosa e mais consciente. Em fim, você pode parar o que você quiser, o que você bem entender na hora que te der na “telha”, mas a única coisa que não podemos parar é o relógio da vida, que comando o tempo. O tempo corre atrás de todos nós, uns ele pega primeiro e outros depois. Então, não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje, porque amanhã pode ser tarde demais. Quando e quem será o próximo que o tempo irá escolher, ninguém tem capacidade de saber. Por isso faça o amor acontecer. Porque ficar enrolando se estamos por esse mundo só de passagem?! Sinta o amor, transmita o amor, demonstre o amor e receba o amor sem a vergonha de ser feliz. Grite aos quatro ventos “EU TE AMO” para quem você desejar, pois num simples fechar de olhos o amanhã pode não chegar. "
Natan Smaniotto
maresia
Estava tao feliz e me surpreendi cantando uma música antiga "Liberdade pra dentro da cabeça" do Natiruts. Philip achou graça e eu ensinei ele cantar o refrao! Soa gracioso com o sotaque dele, uma pena que nao podia me acompnhar em toda cançao.
Senti uma nostalgia boa da época em que esta música começou a fazer sucesso. Naquela altura dos meus 16 anos, esto de liberdade pra dentro da cabeça nao fazia muito sentido pra mim, mas naquele momento na praia que de modo espontâneo ela despertou do meu interior tomou todo um significado importante pra mim. Expressava justamente o que eu sentia naquele exato momento, agora com 23 anos, depois do banho de mar com meu amor... Liberdade pra dentro da cabeça... sempre, pra mim e pra você!
Desventuras em série
Impressoes dispersas de Portugal
Portugal é muito distinto do que eu imaginava! Porto foi a primeira cidade que paramos e como toda cidade hoje em dia, tem seu lado antigo ocupado pelos "marginais" (tipo uma periferia) e o lado moderno com prédios e lojas caras. Eu é claro, curti mais o lado marginal, por toda uma nostalgia, cumplicidade.
A primeira coisa que comi em Porto: bolinho de bacalhau, que delícia! Havia um cheiro de sardinha por toda cidade, isto pq estao em festas de Sao Joao, onde o prtao típico é saridnha assada com arroz! esto nao deu pra comer, a grana estava limitada.E como nao podia faltar, fiz um percurso por duas adegas de vnho do Porto, e realmente pude comprovar que tudo o que dissem sobre o vinho do Porto é verdade: simplesmente divino! Nunca provei um vinho tao bom e penso que todas as pessoas deveriam uma vez na vida tomar um cálice dessa bebida dos deuses! rsrsrsrs
Já em Lisboa a estadia foi um pouco mais longa, dois dias. Cidade mais grande e portanto a mim, menos agradável, essa coisa de metrô, onubus, muita gente com pressa. Mas também, teve passeio de bondes pelas ruas estreitas da antiga Lisboa imperial . Pela noite tem o Bairro Alto, que é um lugar especificamente de jovens que vao se embebedar pelos diversos bares "moderninhos" e caros! Um cara que oferece xaxiche (como se escreve isso?), muitos estrageiros, mendigos e caipirinha por 2,50 €, que a este preço está barata!!!
Conheci um belga que estava na mesma pensao que eu e para minha supresa, falava portugues. Contou me que esteve seis meses de férias no Brasil e segundo ele, depois que chegou no Brasil nao queria mais voltar! Falava um portugues abrasileirado, incluso com as girias! E como eu, achou muito estranho o sotaque dos portugueses que exigia uma certa concentraçao pra entender o que diziam.
Muitos pontos Lisboa me lembrou Sao Paulo! Pela cidade se vê muitos cabo-verdianos, angolanos e é claro, brasileiros! É uma cidade multi cultural, suja, cheia de grafites, turistas. Me pergunto o que restou da majestade colonial além de antigas fachadas encardidas de prédios estreitos que agora sao ocupados por vagabundos, prostitutas ou apenas por imigrantes sem rumo, ou portugueses sem recursos. Pelas ruas cartazes que anunciavem cncertos musicais de Maria Bethania, Ney Matogrosso e espetáculo tetral com Marília Pêra.
Por último dei uma passada em Sintra, um pequeno povoado situado em uma serra a 30 kms de Lisboa. Muito distinto da capital lusa, um lugar onde eu desejaria desfrutar meus ultimos anos de velhice, pela sua tranquilidade e beleza. Voltei pra Lisboa, descansei para depois voltar ao Bairro Alto em despedida a cidade.
Já estou de volta em Santiago. De Portugal só pude trazer comigo uma aquarela que comprei de um artista do bairro de Alfama em Lisboa e uma garrafa média de vinho do Porto que tomarei com os poucos e inesquecíveis amigos que consegui encontrar nesta pequena e sublime duraçao em Santiago. Além de lembranças o que mais permance?
Caio Fernando Abreu
"Tome-o nas mãos com muito cuidado. Ele pode quebrar; o momento presente. Como um bebê então, a quem se troca as fraldas, depois de tomá-lo nas mãos, desembrulhe-o com muito cuidado também. Olhe devagar para ele. (...) contemple o momento presente como um parente, um amigo antigo, tão antigo que não há risco algum nessa presença, quieta. Contemple o momento presente dentro do silêncio absoluto. (...) Mas não sinta solidão, não sinta nada: vc só tem olhos que olham o momento presente, esteja ele - ou vc - onde estivar; E não dói, não há nada que provoque dor nesse olhar:
Não há memória, também. Vc nunca o viu antes. Tenha a forma que tiver ele só está ali, á sua frente, como um punhado de argila à espera de que vc o tome nas mãos para dar-lhe uma forma qualquer: E se vc não o fizer, ele se fará por si mesmo, o momento presente. Não chore sobre ele. No máximo um suspiro. Não o agarre com voracidade, cuidado, ele pode quebrar: Não espere nada dele. Ele nada lhe dará, o momento presente. (...) Deixe que ele respire, como uma coisa viva. Respire vc também, como essa coisa viva que vc é. Respire, respire. Conte até dez, até vinte talvez. Daqui a pouco ele vai se transformar em outra coisa, o momento presente. Vc não sabe, eu não sei, ele não sabe: os momentos presentes não têm o controle sobre si mesmos. Se o telefone tocar; atenda. Se a campainha chamar; abra a porta. Quando estiver desocupado outra vez, procure-o novamente com os olhos. Ele já não estará lá. Haverá outro em seu lugar. Então, tome-o nas mãos. Ele pode quebrar; o momento presente. Como um bebê, então, a quem se troca às fraldas, depois de tomá-lo nas mãos, desembrulhe-o com muito cuidado. Olhe devagar para ele. Experimente então dizer ‘eu te amo’. Ou qualquer coisa assim, para ninguém”.
Quis saber o que os pássaros pudessem estar sentindo. Será que estavam sentindo-se aprisionados como ela? Talvez a mesma agonia, sofrendo pela imensa vonatde de voar para bem longe...mas estavam, os três, aprisionados.
Ela iamginou que, se eles pudessem raciocinar como humanos o melhor seria se conformarem com a situação e aproveitar o alpiste e a água que religiosamente nunca lhes faltavam. Além do mais, eles possuíam a vantagem de estarem a salvos de predadores!
Contudo, ela, na sua gaiola, não encontrava razões e nem motivos pra se conformar, além de não estar a salva de qualquer risco mínimo que pudesse surgir.
Mas, e ela? Ela não era pássaro, no entanto estava tão engaiolada quanto eles naquela condição, naquele trabalho, naquela vida medíocre. E pior: estava sozinha, não tinha nem sequer um companheiro ou companheira.
Ela considerou a possibilidade de que, por piedade ou esquecimento, alguém deixasse a portinhola aberta. Então sentiu-se mais triste e desesperada, pois os pássaros não consiguiriam mais voar, pois suas asas estavam atrofiadas.
Continuou refletindo... refletindo sobre sua situação até o dia em que descobriu que sua mente* era, por destino ou casualidade, seu mais cruel cativeiro.
* Na versao antiga havia escrito corpo! Agora percebo o grande equivoco em haver pensado que o corpo poderia ser uma prisao. Posso estar novamente equivocada, mas acho que na realidade a mente é que comanda o corpo.
- Este texto escrevi um dia em que estava angustiada no trabalho. Naquela época havia trancada o faculdade e voltei pra SP. Minha cabeça estava completamente confusa, nao sabia onde seguir, o que fazer... enfim, uma crise! Tive muito apoio de amigos e familiares! Gracias a todos!
N´ cio
Mas nada acontece. Uma pergunta surge neste momento de ócio: pra que tanta carne? Uma carne clara, lisa, macia e jovem. Tudo a caminho do desfalecimento. Mas agora isso não importa, egoisticamente nada lhe importa além do desejo que ela exala. Não exige muito, apenas carícias leves... tão leves que fazem cócegas! Um suspiro no ouvido, dedos nos cabelos.
O sangue que flui não impede o desejo, é um vermelho que incita vida, com um cheiro peculiar de mulher. Esse sangue mancha o lençol, deixa marcas. A fêmea que não se retrai rojando sangue, se dá completamente ao prazer.
Ela mesma se toca, confiante nos seus dedos que mergulham deliciosamente dentro dela, molhados, deslizam sem pudor.. Os dedos são calmos, ternos e experientes, eles não falham.
Os olhos ora se abrem, ora se fecham. Dá vontade de gritar um grito agudo, tão agudo que o ouvido humano é incapaz de captar.
Cada membro do corpo está atento a espera do coito selvagem, bruto. Prazer e dor se misturam. A boca seca enquanto os (pequenos e grandes) lábios se umidecem. Tudo se expande, um pequeno gemido rompe o silêncio, o suor denúncia a força.
Ao fim, aos poucos o rubor da face se desfaz e as batidas do coração se acalmam. Sente com exatidão a dimensão do seu corpo frágil e cansado. Se ajeita na cama feito passarinho no ninho mácio. O cheiro do prazer empregnado em sua pele se espalha no ar.
Ela conhece a cura, quer compartilhá-la, mas a tacharão de louca, maníaca, obssessiva, obscena, desavergonhada. Tudo bem, cada um que procure sua cura!
O sino da igreja trás de volta a realidade, a despertando do sono que se tem acordado. Não toma banho, nem se quer lava as mãos, água só pra beber. Veste as roupas encardidas, prende os cabelos desgrenhados e abre a porta, decidida revelar ao mundo que por detrás daquela aparência tímida há uma fêmea n'ocio.
- publico aqui outro texto engavetado!
Deus é o granjeiro do mundo
Escrevo desde uma Mansilla, Mas de Noguera, situado na Comunitat Valenciana. Faz um mes que cheguei em Valencia, depois de percorrer muitos caminhos em España. Ainda estou me aclimatando a este lugar. Começamos com o pé direito.
Aqui tem uma granja com vacas, ovelhas, um toro enorme que a principio assusta, mas é muito dócil e chamamos Letur , tem também o filho de Letur chamado Hermes que ainda nao tem um mês de vida. Passado um ano e meio, Hermes será levado a um matodouro, pobrecito. Tem gatos, cachorros, moscas aos milhares, galinhas, patos, aranhas, passáros, borboletas, sapos e pessoas. Estes ultimos sao os animais mais estranhos!
Quando estive na granja ajudando Philip alimentar aos animais, pensei: o mundo é uma granja gigante de Deus! Ele nos alimenta, mas a cambio de que? A vaca nos fornece leite. Me pergunto: e a humanidade, que fornece a Deus?
Sendo bicho de cidade, tudo neste lugar é novo para mim. Despetar com o canto do galo, poder admirar o céu estrelado antes de dormir e fazer pedidos as estrelas cadentes me encanta. Respirar ar puro, beber água da fonte. Sao coisas simples, mas que dao um colorido especial a cada dia que passo aqui.
Faz um mes comecei a treinar equilibrio na corda-bamba. Estou muito melhor, já posso me equilibrar por mais de um minuto com cada pé! Me dá uma sensaçao de liberdade quando estou só com um pé em cima da corda e sinto o vento soprar. Até parece que posso voar. Pouco a pouco estou superando pequenos medos e isso é muito imnportante pra mim. Sempre fui muito medrosa e limitada. Decidi que devo arriscar, nao temer e saltar do precipio sem me preocupar com a queda!
28.07.08