Interior Ismo

Sob o jugo da forma:
conteúdo.
Dentro dela o ser profundo.
Tal qual semente que habita o fruto;
Serás árvore sem raízes,
Terás asas ao invés de folhas,
Te alimentarás de sonhos,
E darás de comer á todos
que de amor tenham fome.

"Palabras para Julia" y para mí

Tú no puedes volver atrás
porque la vida ya te empuja
como un aullido interminable.

Hija mía es mejor vivir
con la alegría de los hombres
que llorar ante el muro ciego.

Te sentirás acorralada
te sentirás perdida o sola
tal vez querrás no haber nacido.

Yo sé muy bien que te dirán
que la vida no tiene objeto
que es un asunto desgraciado.

Entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso.

La vida es bella, ya verás
como a pesar de los pesares
tendrás amigos, tendrás amor.

Un hombre solo, una mujer
así tomados, de uno en uno
son como polvo, no son nada.

Pero yo cuando te hablo a ti
cuando te escribo estas palabras
pienso también en otra gente.

Tu destino está en los demás
tu futuro es tu propia vida
tu dignidad es la de todos.

Otros esperan que resistas
que les ayude tu alegría
tu canción entre sus canciones.

Entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti
como ahora pienso.

Nunca te entregues ni te apartes
junto al camino, nunca digas
no puedo más y aquí me quedo.

La vida es bella, tú verás
como a pesar de los pesares
tendrás amor, tendrás amigos.

Por lo demás no hay elección
y este mundo tal como es
será todo tu patrimonio.

Perdóname no sé decirte
nada más pero tú comprende
que yo aún estoy en el camino.

Y siempre siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso.



José Agustín Goytisolo

Decisión

Tive uma visão: uma velhinha curvada atravessa a rua vagarosamente... sua única companhia é uma bengala de madeira, onde se apoia pra não cair. Mas como?! Se somos seres decaídos, herdeiros de lúcifer que não se contentou com o céu, aquele que ousou ir além com seu orgulho e vaidade.
Alguém avise esta velhinha que a vida é apenas resultado de probalidades que se combinam.
Sou uma probalidade do que É e do que NÃO É, eternamente, ora humana, ora desumana.
O que é humano? Alguém aí pode me explicar?
Decante que sou, desejo mais do que já me pertence.
Não quero só um, quero dois!
Não, pensando bem quero três!
Ou nada, quero outra coisa, isso... aquilo... aquele outro.
Já não há nada a ser feito, a velhinha já alcançou seu objeitvo: sobreviver a mais um passo.


Catarse Primaveril

O céu rugi parindo a chuva que molha e arrefece as entranhas da terra.

Uma libélula bêbada em vôo sem rumo busca um abrigo tranquilo na selva de pedra.

Em seu sonho embriagado, paira suavemente por entre flôres tropicais.

Sua estrutura leve lhe permite percorrer o espaço sem barreiras e o tempo nada mais é o rio que flui sem pressa de chegar.

A tempestade humedece e refresca o asfalto quente e gastado.

A natureza reclama o espaço roubado.

O comprimisso se atrasa, o guarda-chuva quebra, o trânsito pára, a luz se acaba, o casal se ama, a criança observa pela janela, a roupa se lava no varal...

Enquanto a vida se rega e o céu se liberta, a libélula repousa, plena e serena, em seu ser.

El Pescado

Sexta-feira de lua cheia, que nao se via porque ainda estava de dia.

E neste dia o destino já estava morto. Mesmo assim foi difícil decapitar-lo, destripar-lo e assar no forno com batatas. Seus olhos seguiam inexpressivos e as escamas brilhavam como se ainda estivesse sendo.

Quando estiver pronto come-lo-ei sem sal com fome e com pesar.

Pies Cansados

Estão no meio da ponte. Nao alcançam ver o final e tão pouco o início.
A parte percorrida até aqui está tapada pela densa neblina do tempo.

Ás vezes, quando o vento sopra com pressa, balançando a ponte, eles se agitam intranquilos buscando a segurança estática.

Estão na metade da meta, sujeitos a conjugação do verbo: eles existem, insistem e resistem. Seguem este aspiralado caminho sem sentido, limitado e infinitamente imenso.

O único ponto de referência é o momento, este fugaz companheiro de uns pés peregrinos em busca do desconhecido.

Quem sabe se no final haverá algo tão novo e extraordinário como tudo o que agora É?

Meus pés ainda doem, mas o pior já passou.

Outono

Manhã de luz tíbia e calor tímido.

Outono: a decrepitute que antecipa e prepara um novo recomeço.

Aqueles caquis doces alaranjados comidos diretamente do pé, colhidos por suas mãos, me deram na boca o gosto do paraíso.

Pouco a pouco os ninhos das andorinhas se desfalecem, seguindo a lógica da vida.

As folhas caem, sem resistência ao vento e a gravidade atraente, com a consciência tranquila, pois sabem que seu papel já foi cumprindo.

Ensinam silênciosa e humildemente aquilo que os homens esqueceram.

Eu, deixo o outono, como os passáros, vou em direção ao calor do seu afeto.