Alarme falso
Coincide que hoje é aniversário do meu vô Amadeu.
Eu estava bem tranquila assistindo o filme "O curioso caso de Bejamin Button". Estava em uma passagem muito bonita do filme e acho que combina com a situação. O protagonista envia uma carta a sua filha em que diz:
" Nunca é tarde demais para ser quem você quer ser. Não há limite de tempo. Comece quando quiser. Mude ou continue sendo a mesma pessoa. Não há regras para isso. Pode tirar o máximo proveito. Espero que veja coisas surpreendentes. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com ponto de vista diferente. Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe. E se não se orgulhar dela, espero que encontre forças para começar tudo de novo."
Mas foi um alarme falso. Pouco tempo depois a Ariane voltou para casa. Acho que a Geovana ainda está juntando forças para fazer parte desta vida!
Eu, ser sem estar
Minha trajetória nos últimos seis anos, desde que com toda minha ingênua e insegura vontade de ser alguém, deixei pela primeira vez a segurança do "lar", tem sido de mudanças, tanto geográfica como espiritualmente.
Muitas coisas se passaram, conheci muita gente, conheci e aprendi muitas coisas e assim continua sendo.
Logo mais seguirei outra aventura e não posso negar que sigo sentindo o mesmo medo e a mesma inseguranca semelhante a primeira vez que parti rumo ao desconhecido.
O importante é não deixar o medo me paralizar. Afinal, qual é a pior coisa que pode ocorrer?
Ser sem nunca estar, viver como cigana, um dia aqui e outro acolá. Tenho laços, mas eles não me atam, ao contrário, fazem com que eu esteja livre para voltar.
O tempo vai definir qual a moral da história.
Ultreya
Memórias resgatadas
Memórias resgatadas
Memórias resgatadas
Digestivo

Um hemisfério numa cabeleira
Deixa-me respirar longamente, longamente, o cheiro dos teus cabelos, mergulhar neles todo o meu rosto, como um homem sedento na água duma fonte, e agitá-los com a mão como um lenço perfumado, para sacudir recordações pelo ar.
Se pudesses imaginar tudo o que vejo! tudo o que sinto! tudo o que ouço nos teus cabelos! Minha alma viaja no perfume como a alma dos outros viaja na música.
Teus cabelos encerram todo um sonho, povoado de velas e de mastros; encerram grandes mares, cujas monções me conduzem a maravilhosos climas, onde o espaço é mais azul e mais profundo, onde a atmosfera é perfumada pelos frutos, as folhas a pele humana.
No oceano da tua cabeleira entrevejo um porto formigante de canções melancólicas, de homens vigorosos de todas as nações, e de navios de todas as formas, cujas arquiteturas finas e complicadas se recortam num céu imenso onde se repoltreia o calor eterno.
Nas carícias da tua cabeleira reencontro os langores das longas horas passadas sobre um divã, no camarote de um belo navio, acalentadas pelo imperceptível balouçar do porto, entre as jarras de flores e as bilhas refrigerantes.
Na lareira ardente da tua cabeleira respiro o odor do fumo de mistura com o ópio e açúcar; na noite da tua cabeleira vejo resplandecer o infinito do azul tropical; nas margens penugentas da tua cabeleira embriago-me com os perfumes combinados do alcatrão, do almíscar e do óleo de coco.
Deixa-me morder por muito tempo as tuas negras e pesadas tranças. Quando me ponho a mordiscar os teus cabelos elásticos e rebeldes, parece-me que estou a comer recordações.
(De Pequenos poemas em prosa de Baudelaire)
08/072002
Prometo que não irei incomodar,
Sinto que não há nada em que acreditar.
Não culpa minha se só assim sei pensar.
Mas o que fazer?
Jurar, prometer ou sentir?
Acho que é só deixar a vida fluir.